No programa de hoje do Surra de Lúpulo, vamos mostrar na prática alguns dos dados que a nossa Pesquisa Retrato dos Consumidores de Cervejas 2022 escancarou. Além de falar da importância das confrarias, queremos ressaltar as confrarias femininas e o quanto elas contribuem para o aprendizado, união, inclusão e formação de novas bebedoras. Para isso, estamos com Beatriz Pimenta que é sommelière e membra da Confradelas, de Fortaleza.

Você sabe o que é uma confraria? Podemos chamar de confraria organizações que fazem encontros periódicos com pessoas para falar de interesses em comum. Os encontros tem como objetivo passar adiante o conhecimento de determinado assunto.  Com isso em mente, podemos continuar com o nosso episódio sobre confrarias femininas!

 

A história da Confradelas, confraria feminina de Fortaleza

 

Estudo de Leveduras

Beatriz em 08’06: Então, o Confradelas surge em Maio de 2017. Uma das nossas fundadoras, a Carol, chegou aqui, em Fortaleza, em 2017 (ela era do Sul), e ela sentia falta de companhia e pessoas para conversar e beber cerveja; e decidiu montar um bar aqui numa avenida bem conhecida e percebeu que faltavam figuras femininas no bar. E aí ela fez um convite aberto para outras mulheres fazerem uma brassagem juntas. E aí o grupo, que eram umas 10 meninas, começou a criar forma e evoluiu para 30 meninas, e pouco antes da pandemia chegamos a 100 meninas. Tudo isso fazendo brassagem e conversando sobre cerveja. A gente chegou a organizar um congresso aqui em Fortaleza onde a gente chamou profissionais e tentamos dar voz a profissionais mulheres do país inteiro. Veio a Pri Colares, veio muita convidada de eixos diferentes. Tivemos desde GT a oficinas, palestras… Foi muito bacana. Foi uma experiência muito diferente e acredito que nacionalmente devem ter acontecido poucas experiências desse tipo. 

 

Beatriz explica que o que deu ainda mais força para a Confradelas é o medo que as mulheres sentem em frequentar certos locais e consumir cerveja em determinados locais. A Confradelas passa a ser um espaço seguro feito por mulheres e para mulheres. 

 

 

A nossa Pesquisa Retrato dos Consumidores de Cervejas 2022 (3ª Edição) mostrou de forma clara que a mulher ama cerveja tanto quanto o homem, mas que tem hábitos e perfis de consumo diferentes. Qual é a percepção de vocês do perfil de mulheres que buscam a Confradelas? O que elas buscam?

 

Beatriz em 18’10’’: Sem sombra de dúvidas lager e premium lager. São os estilos que comandam, mas normalmente o que vem em segundo lugar é a Ipa, e a gente tenta abrir a cabeça das pessoas. […] Aqui, em tese, a gente deveria beber menos RIS, stout e afins, porque é muito quente. Mas a gente tem uma cervejaria aqui, que é a cinco elementos, que ela é bem conhecida por ter uma ótima receita de RIS, então a gente bebe.

 

Qual seria a faixa etária das mulheres da Confradelas?

 

Beatriz em 25’42’’: Basicamente meninas de 25 a 40 anos. Com maior faixa em torno dos 30.

 

Ludmyla diz que condiz com a faixa etária dos seguidores do Surra de Lúpulo no Instagram.

 

 

Como é a procura pelos cursos de sommelier ou quaisquer outros cursos de especialização em cervejas no seu Estado? 

 

Beatriz em 31’30: De 2015 para 2019 nosso mercado estava bem aquecido, então tivemos bastante turma, do SENAC e etc. E muitos estão atuando na gastronomia, mas de 2019 pra cá o mercado vem sumindo. São pouquíssimos lugares vendendo, e basicamente as cervejarias já focam direto no cliente final. e-commerce é como algumas cervejarias artesanais conseguem se manter no mercado. Estamos recomeçando agora a parte de workshops e afins, e perguntamos para o grupo das meninas o que elas queriam aprender para aumentar a captação. 

 

Como fazer parte da confraria? 

 

Beatriz explica “No começo fazíamos uma taxa semestral e todos os eventos era por conta da confraria e aí é ruim porque como profissional você disponibiliza seu tempo etc. Então ficamos mais ou menos um mês com a inscrição aberta, e aí fazemos um planejamento de ter um evento por mês. E os eventos vão desde racha de futebol regado de cerveja artesanal até jantar harmonizado. Então a pessoa se torna confreira quando faz a assinatura da matrícula. Alguns eventos são abertos para a comunidade, para outros conhecerem a confraria também”.

 

Você acredita que o mercado cervejeiro enxerga a mulher como uma consumidora potencial? 

 

Leandro comenta sobre uma amiga que só consome cerveja IPA ao ganhar de presente, alegando que a comunicação é completamente masculinizada.

 

Beatriz em 40’40’’: Eu tenho exatamente essa mesma opinião. Quando trabalhei com marketing de cerveja, sempre falava isso. Inclusive, já usei a Pesquisa de Retrato de Consumidores em reunião! Porque eles diziam que o mercado tinha que crescer, e eu dizia velho, vai continuar assim enquanto você continuar fazendo IPA pro mesmo público [homens brancos cis mais velhos]. É só olhar os comerciais. Quem incluiu a mulher como consumidora? A Heineken faz isso, a Ambev também. Quando vou na balada, observo o que as pessoas estão bebendo, e as pessoas consomem muito aqueles drinks em lata da Ambev. Por que? A linguagem é jovem, inclusiva… É isso que a gente precisa se atentar.

 

 

O bate papo com a Beatriz foi incrível, mas não podemos parar por aí!

 

Apoie outras confrarias femininas e faça parte desse ciclo de inclusão e conhecimento.

 

 

 

👉 Escute também: Participação feminina com Erika Rocha e Bob Fonseca

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🍺 O que bebemos durante o programa? Beatriz bebe Sour Smooth, da Croma, Lud e Leandro bebem Água

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Ludmyla Almeida

Sou bacharel em direito, sommelière de cervejas e inquieta. Cabeça fervilhante e que ama tirar novos projetos do papel. Muitas vezes organizada, mas outras tantas caótica.

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Uma resposta

  1. Bom dia, boa tarde, boa noite,

    Adorei a Entrevista com a Bia (nem sei se ela gosta que a chamem assim, hehe) Beatriz Pimenta, demonstrou desenvoltura no assunto e bom gosto(Louca por Sour) com um sotaque bem gostoso. Devo dizer que senti falta dela citar a Bold Brewing, que realmente havia dado um tempo, mas tá retomando com força…É que ele é Cigano, salvo engano fazia na Dádiva daqui de Sampa, que por sinal é Comandada por uma Mulher, a Super Luiza…

    No mais é meu 1º comentário aqui, talvez de muitos…

    Leandro Siman
    Sommelier de Cervejas Amador

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