No terceiro episódio da série Refrescos, do Surra de Lúpulo, Ludmyla Almeida, Carolina Oda e Chiara Barros mergulham em um território que vai além da cerveja: comportamento, autoconhecimento, solidão e os efeitos disso tudo nos negócios. A conversa parte de uma provocação simples, mas incômoda: será que estamos preparados para dar certo?
A partir daí, o episódio constrói conexões relevantes entre vida pessoal, carreira e gestão, com implicações diretas para quem atua no mercado de bebidas (e, na prática, para qualquer negócio).
Vem ouvir!
MAS ANTES, CONHEÇA E APOIE QUEM APOIA O SURRA:
🍺Cervejaria Stannis – Grande parceira oferece desconto para os nossos ouvintes! Use o cupom SDL12 e ganhe 12% de desconto em todo site
🧪Pinnacle Leveduras – Leveduras especiais e selecionadas para atender as necessidades da sua cervejaria.
O teste de personalidade como ponto de partida
A discussão começa com um teste de personalidade desenvolvido no projeto MindMatch, que rapidamente vira ferramenta de reflexão coletiva. Mais do que rotular comportamentos, o teste funciona como um espelho.
Chiara, por exemplo, se reconhece no perfil resolutivo e objetivo: alguém com baixa tolerância para enrolação e alta capacidade de execução. No entanto, ela mesma aponta um ponto crítico: a agradabilidade não é constante, variando conforme o nível de proximidade com as pessoas.
Já Carolina Oda traz um olhar mais estratégico. Ela destaca como o autoconhecimento influencia diretamente a gestão, especialmente ao entender no que você não é bom. Esse ponto é crucial. Muitas lideranças falham não por incompetência, mas por desalinhamento entre perfil e função.
Portanto, o teste, em vez de encaixar pessoas em categorias limitantes, ajuda a tomar decisões mais inteligentes, inclusive sobre carreira, sociedade e liderança.

E se empresas tivessem personalidade?
A conversa evolui naturalmente para o mundo dos negócios. Surge então uma ideia provocadora: será que um CNPJ poderia ter um “teste de personalidade”?
Na prática, a resposta já existe. O que chamamos de cultura organizacional nada mais é do que a extensão da personalidade dos fundadores. Como Carolina aponta, é possível “ligar os pontos” entre comportamento do dono e operação da empresa.
Chiara reforça esse raciocínio com exemplos de consultoria. Muitas vezes, o discurso do empresário não corresponde à prática. Ele diz que quer qualidade, mas prioriza volume. Diz que valoriza equipe, mas não sustenta isso no dia a dia. Como resultado, a cultura real da empresa contradiz a cultura declarada.
Além disso, há um ponto crítico: não existe mudança de cultura de baixo para cima. Ou seja, sem envolvimento da liderança, qualquer tentativa de transformação é superficial.
Isso traz um aprendizado direto: antes de ajustar processos, é preciso ajustar pessoas, especialmente quem lidera.

Solidão na era da hiperconexão
A conversa então muda de tom e entra em um tema mais sensível: a solidão.
Apesar de estarmos mais conectados do que nunca, o sentimento de desconexão cresce. A solidão, como discutido no episódio, não é ausência de pessoas, mas sim a distância entre as conexões que desejamos e aquelas que realmente temos.
Chiara faz uma distinção importante: estar sozinho pode ser uma escolha saudável; já sentir-se sozinho é outra coisa, e pode levar a quadros mais graves, como depressão.
Além disso, o episódio conecta esse tema ao consumo de álcool. Em muitos casos, o álcool aparece como ferramenta de socialização, mas não resolve questões emocionais mais profundas. Pelo contrário, pode mascará-las.
O recorte de gênero muda tudo
Um dos pontos mais fortes da discussão é o recorte de gênero. A solidão não afeta homens e mulheres da mesma forma.
Por um lado, homens tendem a ter mais dificuldade em construir relações profundas. Por outro, mulheres enfrentam julgamento social mais duro, inclusive no consumo de álcool. Enquanto o excesso masculino é mais tolerado, o feminino costuma ser associado a falha moral.

Além disso, mulheres buscam mais autoconhecimento e terapia, o que também revela uma diferença estrutural na forma de lidar com emoções.
Outro ponto relevante é o impacto da ascensão profissional feminina. À medida que mulheres ganham independência financeira e ocupam espaços de poder, surgem novas formas de solidão, seja pela dificuldade de relacionamento, seja pelo deslocamento em relação a expectativas sociais.
O custo invisível do sucesso
Talvez o insight mais desconfortável do episódio seja este: dar certo pode ser solitário.
Conforme as participantes relatam, crescimento profissional frequentemente implica isolamento. Mais responsabilidade, menos troca. Mais decisões individuais, menos espaço para dividir dúvidas.
Além disso, existe um custo emocional pouco discutido. Sucesso pode gerar inveja, distanciamento familiar e até incompreensão de quem está ao redor.
Portanto, a ideia de sucesso precisa ser revisitada. Afinal, chegar onde você queria não garante que aquele lugar ainda faça sentido.

Entre escolhas e consciência
O episódio termina sem respostas fáceis. E isso é um mérito. Autoconhecimento, solidão e sucesso estão interligados de formas complexas. No entanto, algumas direções ficam claras:
- Entender seu perfil evita decisões ruins de carreira e gestão
- Cultura organizacional começa no comportamento da liderança
- Solidão é uma questão estrutural, não apenas individual
- E sucesso, apesar de desejado, cobra um preço
No fim, a provocação inicial continua válida: não basta querer dar certo, é preciso entender o que isso significa para você e para o seu negócio. 🍺