No quarto episódio da série Refrescos, no Surra de Lúpulo, Ludmyla Almeida recebe Carolina Oda, Chiara Barros, Daiane Colla e Madu Vitorino para uma conversa sobre medo de envelhecer, produtividade tóxica e estética da saúde. Embora os temas pareçam diferentes, todos passam pelo mesmo ponto: a pressão para continuar funcionando, bonita, atualizada, produtiva e emocionalmente disponível, mesmo quando o corpo e a vida dizem o contrário.

MAS ANTES, CONHEÇA E APOIE QUEM APOIA O SURRA:

🍺Cervejaria Stannis – Grande parceira oferece desconto para os nossos ouvintes! Use o cupom SDL12 e ganhe 12% de desconto em todo site

🧪Pinnacle Leveduras – Leveduras especiais e selecionadas para atender as necessidades da sua cervejaria.

O medo de envelhecer também é profissional

A conversa começa com o envelhecimento, tema da redação do Enem de 2025. A partir daí, o debate vai para o mercado de trabalho. Carolina Oda fala da chegada aos 40 como uma mistura de crise e libertação. Por um lado, existe a sensação de urgência. Por outro, há algo que só o tempo entrega: repertório, maturidade e mais capacidade de diagnóstico.

No entanto, o mercado nem sempre valoriza essa experiência. Chiara Barros lembra que muitas empresas ainda tratam profissionais mais velhos como menos adaptáveis, enquanto perdem conhecimento acumulado ao demitir pessoas experientes. Além disso, para mulheres, o envelhecimento costuma vir acompanhado de julgamentos estéticos. No homem, o grisalho pode ser visto como charme e autoridade. Na mulher, muitas vezes, vira sinal de desleixo.

Menopausa, maternidade e o corpo no centro da conversa

Daiane Colla traz uma camada essencial: a menopausa. Justamente quando muitas mulheres estão no auge da carreira, podem surgir alterações hormonais, queda de memória, dificuldade de concentração e mudanças cognitivas reais. Ainda assim, muitas seguem trabalhando, estudando, fazendo mestrado, doutorado e sustentando altas demandas.

Madu Vitorino amplia o debate ao falar da maternidade. No puerpério, relata queda hormonal intensa, piora da memória e da concentração. Além disso, lembra que a gestação pode impactar diretamente a carreira de mulheres, especialmente em mercados que ainda penalizam a maternidade. Enquanto homens frequentemente são vistos como mais responsáveis depois da paternidade, mulheres podem perder oportunidades ou enfrentar dificuldade de retorno ao trabalho.

A produtividade tóxica não deixa ninguém descansar

O episódio também discute a sensação de que é preciso estar produzindo sempre. Mesmo quando não há trabalho, parece necessário ler, estudar, treinar, assistir algo relevante ou ocupar o corpo e a mente com alguma atividade. Portanto, o descanso real quase desaparece.

Ludmyla cita dados sobre o aumento dos afastamentos por burnout no Brasil, que passaram de pouco mais de 800 registros em 2021 para quase 5 mil em 2024. A pandemia e o home office aparecem como marcos importantes nessa mudança. Afinal, trabalhar de casa pode salvar tempo e melhorar a vida de muita gente, mas também apagou limites. O computador está sempre perto, o celular nunca desliga e mensagens chegam em qualquer horário.

Chiara conta que, depois da pandemia, tentou fazer tudo ao mesmo tempo para compensar perdas e acabou entrando em colapso. Carolina, por sua vez, fala da ansiedade de quem é autônoma: quando a agenda esvazia, surge o medo de que o trabalho esteja acabando.

Saúde, aparência e a obrigação de performar

A discussão chega também à estética da saúde. Hoje, não basta se alimentar, se exercitar ou cuidar do corpo. É preciso performar saúde. Treinar precisa parecer bonito. Comer precisa parecer correto. Envelhecer precisa parecer controlado.

Por isso, o episódio questiona quando o autocuidado deixa de ser cuidado e vira mais uma cobrança. A busca por saúde pode ser legítima, mas também pode se transformar em opressão quando vira obrigação estética, moral e social.

Para seguir pensando

No fim do episódio, Daiane Colla, deixa uma indicação importante : o livro O cérebro e a menopausa, da neurocientista Lisa Mosconi. A obra é citada como uma leitura relevante para mulheres que estão na menopausa, vão entrar nessa fase ou convivem com alguém passando por ela.

Para quem prefere uma introdução ao tema, também é indicado o episódio do Roda Viva com Lisa Mosconi:

Antes de oferecer respostas fechadas, este Refrescos abre perguntas necessárias. Como envelhecer sem ser descartada, trabalhar sem adoecer, cuidar do corpo sem transformar saúde em performance? Talvez o primeiro passo seja justamente este: parar de tratar cansaço, mudança e limite como falhas individuais. 🍺

Gabriel Gurian

Historiador, com Mestrado e Doutorado pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), e Pós-Doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), meus estudos são pautados por bebidas e bebedores na história do Brasil, em diferentes períodos. Atualmente faço parte do coletivo Comer História, sou pesquisador do Instituto e Estúdio Arado e colaboro com o Surra de Lúpulo.

Gostou deste conteúdo? Compartilhe com seus amigos.

Confira os últimos posts

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Cadastre-se na Hop-Pills

* indicates required