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Surra de Lúpulo #195 – Point Chic Bar na Rocinha, com Maick Bezerra

ONDE OUVIR:
Coquetelaria fina na Rocinha

No programa de hoje, vamos falar sobre empreendedorismo em comunidades, mais especificamente na Rocinha, com Maick Bezerra, sócio do Point Chic. Inaugurado em Janeiro de 2022, o Point Chic Bar leva os mais diversos cocktails para acolher um público que muitas vezes é deixado de lado, e que em sua normalidade não teria a possibilidade de ter acesso a cultura de cocktails. Ouça na íntegra:

 

✨ Esse programa não aconteceria sem os nosso Mecenas Empresariais: ✨ Cerveja da CasaIris PayCervejaria UçáViveiro Van de Bergen, The Beer Agency, Prussia Bier e Passaporte Cervejeiro.

 

Quem era o Maick antes do Point Chic?

 

Foto de um drink com o pointchic bar ao fundo“Antes do Point Chic, eu trabalhei praticamente todas as funções dentro de um restaurante. Comecei dentro do restaurante do SG, dos milhares previstos gerais, fui copeiro, fui cozinheiro, fui atendente de mesa, fui assistente de atendente de mesa, fui metrô, cheguei a ser assistente de gerente. E foi toda essa trajetória que, em 2018, a gente acabou se cruzando. Eu tenho uma naturalidade, eu nasci em São Paulo, mas preciso de um diadema. Minha família é toda do Nordeste e pelo fato de eu ser o mais velho entre os homens, quando meu pai, ele chegou na sua idade mais avançada e resolveu descansar, então nós fomos para viver no Nordeste, que é a terra da minha mãe. Aí de lá, agora está na hora de trilhar o caminho, apesar de eu nascer de outro estado, eu me considero nordestino, mas eu não saí. Enfim.

Nessa chegada ao Rio de Janeiro, trabalhei em todas as áreas dentro do restaurante, passei por vários restaurantes e tal, e em um desses restaurantes acabei conhecendo o Doni, né? E desde o primeiro contato com o cara que eu vi que era um profissional diferenciado, amava o que fazia e eu tinha um desejo muito grande de trabalhar dentro do bar e as histórias contadas dentro dos copos, as histórias vividas dentro dos copos, atrás do balcão, eu queria experimentar isso. Eu vi que ele fazia isso com muita excelência. Uhum. Só que o nosso primeiro contato foi bem agressivo, né? Eu fiz um questionamento uma vez para ele a respeito do trabalho, ele veio com aquele jeito nordestino, né? Um pouco mais agressivo, não tão receptivo. Aí o cara… Eu precisava disso, mas ao mesmo tempo, por ver ele trabalhando, cara, eu preciso chegar nesse cara de alguma forma, eu preciso colar nesse cara, porque eu tenho que aprender e ele tem muito a me passar.

Aí em 2019, nós fomos selecionados para inaugurar uma outra casa da rede que a gente trabalhava. Isso aí, o nosso convívio começou a ser maior, né? Em seguida foi construído a Arma Elétrica, aí passei a coordenar a equipe, e foi um cara que me deu muita força nesse trabalho de salão. E também foi onde eu consegui me aproximar e conseguir ter mais acesso a esses conteúdos de coquetelaria, da parte prática, que eu tinha teórica, mas não tinha prática. Então, foi aí que nossos caminhos se cruzaram, né? E… Falando sobre o Donizão, ele é paraibano, lá de Santa Inês. Acredito que como um todo nordestino, ele veio em busca de um sonho dele, que era melhorar de vida. Ele brinca com isso que veio com o único objetivo, que era comprar uma moto e voltar.”

 

Maick conta que Doni, seu sócio do Point Chic, trabalhou em uma boate famosa do Rio, e trabalhava no alojamento dessa mesma boate. Depois de cinco anos, foi trabalhar em uma lanchonete onde conseguiu abrir sua biblioteca sensorial ao experimentar diversos sabores, principalmente com as diversas frutas usadas como ingredientes. Um grande momento para Doni foi o começo de sua jornada como barman no Copacabana Palace. Lá, aprimorou suas técnicas e passou o conhecimento para Maick. Assim surgiu o espírito empreendedor que levou à criação de sua casa de cocktails.

 

De onde surgiu a ideia de empreender com coquetelaria fina na Rocinha?

 

“O Doni morou 10 anos aqui, na Rocinha. Ele já tinha o conhecimento do local, da grandeza do local. Porque a gente costuma dizer aqui no Rio, que a Rocinha é uma cidade dentro da cidade. Porque funciona 24 horas, são farmácias 24 horas, restaurantes 24 horas, supermercados 24 horas. Então você tem um comércio que é muito funcional, digamos assim. E o lance de abrir um bar de coquetéis surgiu desse papo e a gente sempre teve esse desejo de caminhar com as próprias pernas, mesmo sabendo das dificuldades de você empreender no país como o nosso, que muitas vezes não apoia tanto, com muitas das burocracias.

Mas, enfim, quando a gente pensou na Rocinha, a gente pensou nesse potencial econômico mesmo, nessa cidade turística, porque aqui nós recebemos muitos turistas. Também, dentro da comunidade, tem muitas pessoas que têm um bom capital. A ideia central, é um público que não tem muito acesso a essa cultura. Então, por que não arriscar? E também porque a gente tinha, quando saía do trabalho, a gente queria parar no lugar, tocar uma ideia, comer um produto de excelência, tomar uma boa bebida, ter um bom atendimento. E, infelizmente, muitas vezes, isso ainda, em alguns lugares, deixa um pouco a desejar, né? A gente tem essa virtude dentro de nós. Que é a hospitalidade, respeito ao cliente, a receptividade e a cultura, apresentar a cultura mesmo da coquetelaria.”

 

E os desafios do empreendimento? 

 

Tivemos a ilustre presença de Mamá Isidoro, figura carimbada e tarimbada de falar de consumo no Surra de Lúpulo, que sempre fala sobre o  potencial econômico de uma comunidade, independente de qual seja, é imenso. A Rocinha é uma das maiores comunidades da América Latina e não pode ter seu potencial desprezado. Mas existem desafios de empreendimento e perguntamos ao Maick sobre eles.

 

Foto do balcão do pointchic bar com Doni e MaickO mais difícil mesmo é você legalizar o projeto, né? Porque, tipo, é até um pouco pesado. Porque às vezes, você ter os alvarás, você ter toda essa parte legal, muitas vezes, o sistema dificulta um pouco. No começo, éramos 3 sócios. Nós tínhamos um outro companheiro que, infelizmente, nos abandonou no meio do caminho. A gente tem uma gratidão muito grande por ele. Ele é uma pessoa que a gente tem um grande respeito, apesar de algumas coisas, alguns trâmites que foram feitos inicialmente, deixaram uma lacuna muito grande. aí a gente teve muita dificuldade para legalizar o espaço porque a única coisa que ele alegou foi o seguinte, “cara eu tô vendo que esse projeto não é pra mim, eu vou seguir minha vida, vocês seguem a de vocês beleza”, só que aí, alguns acordos foram fechados, tipo de contrato de locação, tipo coisa de avaliar se o espaço era uma residência ou era um comércio não foi avaliado, né, e a gente também muito leigo, então tomamos muita bola nas costas, e até conseguir legalizar o espaço, tirar nosso CNPJ, foi um pouco complicado.

Então acho que essa foi uma das maiores dificuldades. Porque é como eu falei pra vocês anteriormente, foi tudo tão natural, tipo os empréstimos, o espaço, a obra, foi tão tranquilo, mas com o negócio rodando que a gente começou a se aprofundar mais no que era ser um comerciante, no que é ser um empreendedor, porque infelizmente a gente não é educado nisso. As nossas escolas não ensinam empreendedorismo, não ensinam a empreender. a ter uma educação financeira. A gente está desalentado mesmo. perdoe o termo, mas infelizmente é a realidade. Então, base, a vida vai te ensinar de alguma forma. Então, acho que a maior dificuldade do Point Chique foi a nossa imaturidade como empreendedor, como comerciante. Porque até então nós só éramos funcionários, nós tínhamos uma equipe por trás, uma equipe administrativa, uma equipe que nos dava um todo um aparato.”

 

Houveram momentos em que Maick achou que não conseguiria continuar com o projeto, e complementa que

 

“É [preciso] ter a sua meta, o seu objetivo, não olhar pra essas dificuldades que o sistema vai te impor, e ir passando por essas barreiras. Tenho feito como parte da minha vida uma frase que é o seguinte, os fortes, eles caem, eles choram e eles tropeçam. Mas o que diferencia o forte do fraco é a não desistência. É a disciplina e a constância que te leva a chegar no seu objetivo.”

 

Quais são as expectativas do curso de coquetelaria gratuito na comunidade?

 

Foto de um drink laranja, com uma rodela de laranja sendo flambada sob o top do copoEssa vai ser uma das nossas principais conquistas. É um projeto que ele já está… A gente costuma brincar que ele já nasceu. Ele já está nos nossos braços, mas daqui a pouco a gente vai soltar ele porque ele começa a andar sozinho. A gente já tem o material montado, a gente já tem algumas marcas que apoiam o bar hoje e já se disponibilizaram. E a ideia desse curso de coquetel, é profissionalizar a galera, mostrar pra galera uma profissão que tem uma projeção muito boa aqui dentro do nosso país nos próximos anos, e a gente acredita muito nisso. Dar uma oportunidade pra esse cara também, né? Mostrar pra ele assim, cara, a coquetelaria pode ser um caminho pra você chegar onde você quiser. Eu sempre digo isso. Pode ser o que você quiser na sua vida, né? Basta você querer e ter objetivo. Assim como a coquetelaria, ela hoje é esse caminho, e é algo que eu faço com muito respeito e orgulho. muito carinho, por que não começar a plantar essa semente também na cabeça das pessoas? Não precisa você ser um bartender, mas pode ser o que você quiser, mas a coqueteleira pode ser esse caminho. E também fazer esse trabalho especial, né? Pra criar pra comunidade, porque a gente acredita que a gente não quer só vender coquetéis, né? A gente quer, se possível, também formar cidadão, né?

Passar essa experiência que a gente teve pra essa galera. E a gente já tem contato com alguns clientes que empreendem no ramo da gastronomia, que já se abriram pra falar, pô, cara, gostei da ideia, quando vocês começaram a rodar o projeto. A gente pode acolher esse pessoal para fazer estágio, para conhecer as dependências do lugar. A gente está criando todas essas conexões. Falamos com alguns líderes comunitários, explicaram para a gente como é fazer esse trabalho dentro da comunidade. Então a gente está muito empolgado. A gente acredita que tudo que você faz nesse plano, ele vai voltar para você, seja bom ou seja ruim. Então existe o bom, por que não escolher? Total. E também… vender o nosso produto de uma outra forma pra comunidade, entende? Porque a gente não chegou ao ouvido de todo mundo. E a gente pensou, tipo, o cara vai lá, vamos lá naquele bar tomar um pastel, eles têm um projeto legal, eles tratam a bebida de uma outra forma, tem o respeito pela comunidade. Então, é mais ou menos dessa forma, né? E a gente acredita muito nesse projeto. E seria uma grande conquista pra nós, né? Não pra nossa vaidade, não pra gente se sentir melhor do que ninguém, porque a gente não é só o Pedro. Uma conquista, como é que eu posso descrever isso? Uma comunidade mesmo. A gente não sabe quanto tempo vai durar, mas esperamos que dure bastante.”

 

Como foi montar o cardápio de cocktails?

 

Foto do drink autoral Jindubá“Eu costumo brincar dizendo que o dom tem o dom. Dom e dom. Porque para você criar um cupé, você tem que ter um conceito. Antes de você fazer as harmonizações, você tem que ter um conceito. Primeiro criar uma história. A gente acredita muito nas histórias. Então, a gente fez um estudo de campo. O que a gente vai estar trabalhando. O que os nossos concorrentes estão fazendo. Como fazer essa abordagem ao cliente. Então, a gente montou uma carta baseada nos clássicos. clássicos que nós temos conhecimento, clássicos que amigos nossos da área foram sugerindo, foram nos apresentando, clássicos que alguns que a gente até não conhecia, porque a coquetelaria é muito vasta, existem N coquetéis, a gigantesca de mais de um paciente. E a nossa carta autoral é baseada no cítrico, no refrescante, no frutado, porque a gente está numa cidade quente e pede muito isso. Então a gente foi nessa linha. A primeira carta do Ponte Chico foi baseada nesse conceito. A gente tem nossos drinks, pautas de lança. Inclusive a gente tem um coquetel autoral que se chama Jindubá.”

 

Jindubá, explica Maick, foi criado em um casamento. O noivo e a noiva queriam um drink que representasse a união deles, para solucionar a questão Maick e Doni usaram como referência a paleta de cores, onde vermelho simboliza o amor.

 

A gente colocou uma base cítrica que representa as dificuldades que todo casal enfrenta ou vai enfrentar. A gente fez um chá de hibisco, aí deu o tom vermelho. Usamos o maracujá adoçado para representar a doçura do amor. A gente acredita que a felicidade, vida de uma perspectiva do casal, ela também é doce. E a gente finalizou com uma espuma e uma pétala de rosa, combinando com o buquê da noiva.”

 

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Até a próxima, pessoal!

 

✨Leia também: Surra de Lúpulo #183: O poder do consumidor periférico com M.M. Izidoro

✨O que bebemos durante o programa? Mike bebe Heineken; Lud bebe Cold Ipa, da Prussia Bier; Leandro bebe água.

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