Neste episódio do Surra de Lúpulo, Ludmyla Almeida conversa com Mariana Gutterres sobre um tema cada vez mais presente no mercado de bebidas: a moderação e a ascensão das alternativas sem álcool. Criadora do Movimento Zero e com mais de 13 anos de experiência no setor, Mariana traz uma perspectiva que mistura vivência corporativa, transformação pessoal e análise de tendências. O resultado é uma reflexão profunda sobre comportamento, oportunidades de mercado e mudanças culturais no consumo.
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Do mercado premium à transformação pessoal
Mariana construiu sua carreira no universo do vinho, passando por importadoras e multinacionais de luxo. Nesse período, viveu intensamente a dinâmica do setor, que mistura trabalho, relacionamento e consumo. Entretanto, com o tempo, percebeu que o álcool estava presente em praticamente todas as dimensões da sua vida. Eventos, treinamentos, reuniões e celebrações giravam em torno da bebida. Além disso, havia uma normalização do excesso, algo frequentemente incentivado pelo próprio ambiente.
Ao olhar em retrospecto, Mariana identifica padrões que hoje considera preocupantes. Por exemplo, a associação constante entre diversão e consumo elevado, bem como a vulnerabilidade em ambientes com muito álcool. Além disso, ela aponta a naturalização do consumo antes de dirigir e a ausência de políticas claras de moderação. Dessa forma, o que parecia parte da cultura profissional passou a gerar questionamentos.

A ruptura que deu origem ao Movimento Zero
A mudança não aconteceu de forma abrupta. Durante a pandemia, Mariana passou por perdas pessoais e decidiu priorizar a saúde mental. Consequentemente, iniciou um processo gradual de transformação, que incluiu ajustes na alimentação, prática de exercícios, melhora do sono e meditação. Paralelamente, começou a reduzir o consumo de álcool e percebeu as dificuldades sociais associadas a essa decisão.
Nesse contexto, surgiram cobranças veladas no ambiente profissional. Perguntas como “como vender sem beber?” evidenciavam o quanto o consumo estava enraizado na cultura do setor. Ao mesmo tempo, Mariana notou o preconceito social contra quem decide não beber. Ainda assim, ela manteve a decisão e começou a compartilhar sua experiência, dando origem ao Movimento Zero.

Moderação, socialização e o papel das bebidas sem álcool
Um dos pontos centrais da conversa é a evolução das bebidas sem álcool. Segundo Mariana, esses produtos facilitam a socialização sem a necessidade do consumo alcoólico. Além disso, representam uma transição mais suave para quem deseja reduzir ou abandonar o álcool. Ela destaca que a qualidade das opções disponíveis tem melhorado, especialmente com a diversificação de estilos e sabores.
Eventos organizados pelo Movimento Zero demonstram essa mudança. Em encontros totalmente sem álcool, os participantes experimentam cervejas, vinhos e drinks alternativos, além de discutir novas formas de socializar. Consequentemente, o consumo consciente deixa de ser visto como restrição e passa a ser entendido como escolha.

O desafio social de não beber
Apesar do crescimento do tema, Mariana aponta que o maior desafio não é o hábito em si, mas o entorno social. Muitas vezes, quem decide não beber precisa justificar a escolha. Essa pressão evidencia o quanto o álcool está culturalmente normalizado. Ainda assim, ela defende a autonomia individual e evita discursos impositivos, incentivando cada pessoa a encontrar seu próprio equilíbrio.
Oportunidades de mercado e novos consumidores
Além da dimensão comportamental, o episódio também aborda o potencial econômico do segmento sem álcool. Mariana explica que o Movimento Zero tem sido procurado para curadoria e consultoria. Restaurantes e bares, por exemplo, enfrentam dúvidas sobre armazenamento, comunicação e inclusão desses produtos nas cartas. Portanto, existe uma lacuna entre a oferta e a estratégia de implementação.
Outro ponto relevante é que o sem álcool não substitui o consumo tradicional, mas amplia o público. Assim como restaurantes passaram a incluir opções vegetarianas, as bebidas sem álcool podem aumentar o ticket médio e atrair novos consumidores. Além disso, públicos específicos, como pessoas que não bebem por religião ou saúde, passam a ter alternativas.

Uma mudança cultural em construção
O Movimento Zero surge, portanto, como reflexo de uma transformação maior. O consumo consciente não significa necessariamente abstinência, mas uma relação mais equilibrada com o álcool. Ao mesmo tempo, o mercado começa a enxergar que a moderação pode coexistir com crescimento econômico.
Essa mudança ainda está em construção. No entanto, a tendência aponta para um cenário em que diversidade de opções e autonomia do consumidor serão fatores-chave. Assim, mais do que uma moda, a moderação se consolida como parte do futuro do consumo de bebidas. 🍺