O segundo episódio da série Refrescos reúne uma bancada formada por Ludmyla Almeida, Carolina Oda, Daiane Colla, Madu Vitorino e Chiara Barros para discutir temas que atravessam o momento atual da cultura cervejeira. O debate mistura análise de mercado, bastidores de eventos, comportamento do consumidor e uma reflexão cada vez mais necessária: como a indústria lida com a moderação e com o consumo de álcool.
A proposta do episódio é clara desde o início. Nem todos os temas são confortáveis, mas todos são relevantes. Entre eles, o impacto do Festival Degusta, a evolução do setor após a pandemia, a qualidade das cervejas em concursos e, principalmente, as mudanças profundas na forma como as pessoas se relacionam com a bebida.
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Degusta e o reencontro de um mercado em reconstrução
O primeiro grande ponto da conversa é o Festival Degusta, visto como um sinal de retomada do mercado cervejeiro. Segundo Chiara, o evento mostrou evolução significativa em relação ao ano anterior, tanto em organização quanto na diversidade de experiências. Havia cerca de 200 cervejarias, além da presença de outras bebidas, incluindo opções não alcoólicas, café e chá.
Essa ampliação do repertório sensorial foi considerada estratégica. Por um lado, permite descanso do consumo de álcool; por outro, aproxima o festival de tendências internacionais. Além disso, o formato open bar, em que o público paga o ingresso e pode degustar livremente, incentivou experimentação e troca direta com os produtores.

Daiane destaca outro aspecto relevante: a separação entre o espaço de degustação técnica e o ambiente festivo. Com menos barulho e mais foco na conversa, o Degusta se torna também um espaço de educação sensorial. Assim, cervejeiros e consumidores conseguem dialogar com mais profundidade, fortalecendo a base do mercado.
Madu reforça essa leitura ao apontar que esse tipo de formato contribui para a formação de novos consumidores. Em um momento de retração do setor, investir na base e na experiência é visto como essencial para manter a relevância da cerveja artesanal.
Qualidade das cervejas e maturidade do setor
Outro tema debatido é o nível sensorial das cervejas avaliadas no concurso. Embora existam percepções distintas, a conclusão converge: houve menos disparidade entre amostras. Ou seja, talvez menos picos extremamente altos, porém também menos defeitos graves.
Esse cenário indica uma maturidade maior do setor. Ainda assim, Chiara e Daiane apontam a necessidade urgente de profissionalização, especialmente em controle de qualidade e análise sensorial nas cervejarias. A padronização continua sendo um desafio, e investir em processos e treinamento é visto como caminho inevitável para o crescimento sustentável.

Moderação e o tabu do consumo no setor
A conversa então avança para um tema mais sensível: a normalização do consumo excessivo dentro do próprio mercado de bebidas. Carolina destaca que o alcoolismo ainda é pouco tratado como doença, principalmente entre profissionais do setor. Eventos incentivam consumo, shots são comuns e o excesso é frequentemente romantizado.
Esse cenário cria um ciclo difícil de quebrar. Ao mesmo tempo, a própria indústria enfrenta dilemas, já que campanhas de moderação podem impactar diretamente as vendas. A tensão entre responsabilidade social e objetivos comerciais aparece como uma contradição estrutural.
Por que as pessoas estão bebendo menos?
Apesar dessa normalização histórica, todas as participantes percebem uma mudança clara no comportamento de consumo. Entretanto, não há uma única explicação. Pelo contrário, o fenômeno é multifatorial:
- Mudanças geracionais e consumo mais intencional;
- Aumento de preços e restrição financeira;
- Popularização de medicamentos para emagrecimento;
- Concorrência com outras formas de lazer;
- Crescimento de bebidas prontas e alternativas;
- Maior consciência sobre saúde.
Daiane traz um exemplo prático: frequentar menos bares e reduzir o consumo por questões financeiras. Esse comportamento, quando multiplicado por milhares de consumidores, gera impacto direto no mercado.
Madu complementa apontando que a nova geração não necessariamente bebe menos, mas consome de forma diferente, em ocasiões mais específicas. Isso exige adaptação da indústria, que precisa oferecer novas experiências e categorias.

O papel das opções sem álcool
Nesse contexto, as bebidas sem álcool surgem como parte da solução. A presença dessas opções em festivais e bares é vista como fundamental para manter o público engajado. Entretanto, há desafios. Carolina ressalta que o preço elevado de bebidas não alcoólicas muitas vezes gera resistência, já que o consumidor percebe menos valor quando não há álcool envolvido.
Isso revela um ponto estratégico: o mercado precisa educar o consumidor sobre processos e custos, ao mesmo tempo em que encontra equilíbrio na precificação.
Um mercado em transformação
O debate indica que o setor cervejeiro vive uma fase de transição. Eventos mais educativos, consumidores mais conscientes, novas categorias e discussões sobre saúde indicam um movimento estrutural. Embora existam desafios, há também oportunidades.
A combinação entre diversidade de bebidas, formatos mais inclusivos e foco na experiência pode ser o caminho para manter a relevância da cultura cervejeira. Ao mesmo tempo, discutir moderação deixa de ser tabu e passa a ser parte da evolução natural do mercado.
Nesse cenário, a principal mensagem é a de que o futuro da cerveja não depende apenas do que está no copo, mas de como o setor se adapta às mudanças de comportamento e constrói novas formas de conexão com o público. 🍺